Era uma vez uma boneca de panos que pensou em dar a sua opinião sobre muita coisa que se passava ao seu redor. Para uma boneca o mundo é complicado mas pode sempre recorrer ao velho baú. Todos temos um... a Cricri não é excepção.
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Quinta-feira, 12 de Março de 2009
O fecho do Baú

 

Dois anos e oito meses que este baú se manteve aberto… Disponível para todos lá procurarem, para lerem as minhas opiniões, as minhas ideias e os meus sentimentos.
Foram dois anos e oito meses, aqui, adoráveis.
Criar este blog foi, sem dúvida, parte das melhores acções que tomei para mim própria. Aqui cresci, aqui conheci tantas outras pessoas que, como eu, escreviam, comentavam, liam, visitavam, … sem nunca se cansarem. Sempre à espera de um novo post nos blogs que habitualmente frequentam.
“Conheci” muito boa gente, que fico grata por isso. Foi uma satisfação ler os vossos comentários. Uma alegria receber cada um deles… A maior parte sempre tão gentil, tão atenta,..!
O final do secundário não me permitiu escrever com tanta frequência como estava habituada a fazê-lo… e se pensava que com a entrada na universidade isso iria mudar, estava redondamente enganada. “Tomar” as rédeas da própria vida, não nos proporciona mais tempo livre; estudar para exames a cada final de semestre muito menos. E a medicina está sempre a chamar, a reclamar a nossa ausência… por muito breve que ela seja.
Abdiquei de muita coisa… o Baú foi uma delas. Mas não é por isso que me arrependo. Nem por um momento, sequer.
Fecho este Baú, mas deixo fora todos estes textos: não sou capaz de os apagar, e assim qualquer um poderá consultá-los.
Porém a vontade de voltar a escrever é muita… Mas o Baú faz parte do passado, com pena minha,…  Resolvi por isso criar um novo espaço, disponível a partir do meu perfil. E continuar assim, por este universo que tanto gosto.
A Cricri continua, só mudou de casa..! ;)
A todos vocês que visitaram O Baú de Cricri, a todos vocês que comentaram, que estiveram ao meu lado e foram amigos nesta rede… o meu grande, enorme, obrigada. Ainda hoje recordo alguns dos vossos comentários, …
 A vocês, nunca vos esqueci.
 
Fico grata por tudo. Por tudo o que se passou desde o primeiro dia que aqui cheguei… desde o aparecimento de 1 visitante no contador de visitas, até hoje.
Fiquem bem, e, quem quiser, encontrar-me-à aqui.
Um abraço,
Cricri
 
PS: "Now this is not the end. It is not even the beginnig of the end. But it is, perhaps, the end of the begining." Sir Winston Churchill

 

 


sinto-me: bem, mas com saudades
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Sábado, 29 de Novembro de 2008
Golden Autumn

“Saudade differs from nostalgia in that whereas nostalgia involves a mixed happy and sad feeling for the lost memories, saudade involves the hope that what is being longed for might return.”

 

 

Às vezes sentimos que o tempo deveria voltar atrás. Mais do que um desejo, torna-se uma necessidade. Um querer que tudo volte a ser como foi um dia. Um querer que um instante se multiplique por milhares. Querer voltar a sentir o que algures se sentiu - Querer viver o que se viveu.
Tenho saudades.
Tenho saudades de há um ano atrás. Tenho saudades da ilusão,… porque ela traz a felicidade, e tenho saudades da ilusão trazida por ela.
E tenho saudades de há anos atrás. ( é aqui que me recordo do que os adultos diziam acerca do bom de ser criança)
Por vezes tenho até saudades do momento que acabou de passar. Só porque sei que ele não voltará mais.
Mas, se o passado não o fosse, não estaria agora no presente. E sem ele, não poderia recordar o passado.
E não poderia querer que voltasse.
E não teria saudade.
- Porque só nós sabemos a doçura que ela carrega; Bem-vindo, Presente…!

sons do baú: The Scientist


Terça-feira, 23 de Setembro de 2008
Segurança? Onde?

 

De volta a Salamanca.
Apesar de as férias serem óptimas, a verdade é que já tinha algumas saudades de passear por estas ruas emolduradas pelos edifícios dourados à luz do sol, estar com os colegas na faculdade, voltar ao ritmo da universidade, e do país.
Bem, “férias”, disse eu… Isso limitou-se a uns 20 dias, visto que há um mês que preparava os exames de Setembro. Mas bem, valeu a pena.
Aproveitei então a primeira tarde de 2º ano para passear até à baixa com umas colegas, e nunca pensei que num simples passeio desses assistisse alguma vez àquilo que presenciamos.
Enquanto passávamos numa rua pedonal surge um carro, (assim daqueles género de tunning, com dois rapazes lá dentro) pelo meio da rua, obrigando todos os que por ali passavam a se afastarem rapidamente. Mais alguns passos e ouvimos o forte barulho do motor, olhamos para trás e de novo vem o carro, agora em sentido contrário, e a ainda maior velocidade! Toda a gente recomeça a desviar-se, ainda com mais dificuldade. Nisto, um senhor, creio que já quase idoso, começou a gritar-lhes que aquilo não se fazia; no fundo repreendendo-os pela atitude. Bem, o condutor abranda o carro e faz marcha atrás. Nisto o senhor chega junto dele e pede-lhe para sair do carro. O sujeito acena, sai calmamente, abre a bagageira do carro, tira uma bengala, dirige-se ao senhor e começa a bater-lhe.
Ali. No meio da rua. E todos passavam, faziam que nem olhavam e continuavam, impassíveis àquele horror.
Sim, eu também lá estava e nada fiz. E até agora guardo uma sensação de impotência horrível. Mas fiquei de tal maneira chocada, à beira das lágrimas, que só me imaginava a gritar. E se gritasse seria eu a próxima a levar. Tentámos ver a matrícula mas não foi possível.
Contudo havia gente mais velha, rapazes até a passarem e nada fizeram.
Nunca havia presenciado algo assim, foi daquelas coisas que vemos em filmes e não julgamos ser possível assistir.
Depois disto não creio sentir-me segura como antes me sentia nesta cidade, sempre com bastante policiamento. A verdade é que apesar da policia existir e patrulhar, naquele momento não estava lá, e num caso mais grave o senhor podia até ter sido morto. Talvez ninguém fizesse mesmo nada.
É lamentável. Profundamente desgosto pensar que há gente dessa por aí à solta. É difícil acreditar… aqueles rapazes não irão sentir remorsos? Não imaginam como seria se tivesse sido o pai deles a ser atacado em vez do pobre homem? Não serão capazes de fazer o bem? Afinal de contas o senhor apenas os tentou repreender pelos distúrbios que estavam a causar. Assim é difícil sentirmo-nos seguros, acreditar na própria segurança e na justiça. Isto está cada vez pior. Longe vão os tempos onde podia brincar até tarde na rua só com amigos da minha idade e nada me acontecia. Longe vão os tempos em que podíamos ver as notícias na televisão sem ouvir falar em carjacking, assaltos a multibancos ou esquadras e tribunais, ou mesmo a carrinhas de valores em plena auto-estrada.



Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008
Grande Concurso EragonOnline

O EragonOnline, em parceria com a Gailivro, acaba de lançar o seu Grande Concurso Brisingr, na sequência do lançamento do 3º livro do Ciclo da Herança de Christopher Paolini. Há a possibilidade de participar em projectos escritos ou em formato vídeo e os vencedores receberão livros "Brisingr" e t-shirts. Se já és fã de Eragon e Eldest, não percas esta oportunidade e participa!

Visita o site oficial para mais informações.



Publicado por cricri às 19:14
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Sábado, 16 de Agosto de 2008
O merecido descanso

 

Estas férias estão um pouco longe de ser o que eu idealizara há algum tempo atrás. Mas até que não me posso queixar muito, as anteriores foram piores…
Depois de quase um mês de exames, em Junho, julgo que nem eu nem os meus colegas conseguíamos acreditar quando ficámos, finalmente, de férias! Iniciámo-las com um jantar de despedida e uma noite fabulosa. E no dia seguinte, como já tanto esperava, regressei a casa. Soube-me maravilhosamente bem! Apesar de tudo, estar aqui, transmite-me um sentimento de segurança único. Afinal de contas: “lar, doce lar”.
No início de Julho fiz o que já havia combinado havia algum tempo, viajar até Madrid. Fui com duas amigas, mas apenas por 3 dias, por isso não deu para visitar tudo o que gostaria, mas bastou para ficar a gostar ainda mais daquela cidade! A minha curta visita em Setembro passado havia-me deixado uma óptima impressão daquela capital, e esta viagem reforçou-a.
Deu então para
dar uma voltinha a pé pela cidade, passear no Parque del Retiro – belíssimo, em pleno coração da cidade (aliás, acho Madrid uma capital muito saudável, limpa, com imensos espaços verdes) 
visitar o Museo del Prado (onde consegui ver o Las Meninas de Velázquez: queria vê-lo a todo o custo porque tinha lido “O Último Papa” na semana anterior, e aquele era o cenário de um dos assassinatos que acontecia no livro),
passar um dia no Parque Warner Bros (como já esperava, foi absolutamente fantástico) e por fim visitar a Bodies the Exhibition – já queria muito tê-la visitado quando estivera em Lisboa. Como não deu, resolvi ir a Madrid. Mas acabou por não se revelar assim tão entusiasmante... Aconselho a todos que possam visitá-la mas a maioria do que vi, já havia visto nas aulas de anatomia. Embora seja sempre enriquecedor, sem dúvida!
Depois dessa viagem, seguiu-se uma cirurgia: coisa pequena (extracção dos 2 dentes inferiores do siso) mas que me valeu 3 noites a dormir no hospital .. Acabou por se revelar, digamos… interessante! Pude visitar o bloco operatório por dentro, sentir os efeitos de uma anestesia geral (extremamente curiosos!!), observar o trabalho dos diferentes profissionais de saúde, e fiquei com uma companhia que me permitiu conversas bem agradáveis!
E, no início deste mês, fui à Covilhã. Por ser a terra natal da minha mãe e não ir lá havia algum tempo… Não conhecia a cidade em si, mas graças a um amigo, que se transformou momentaneamente em guia turístico pessoal, pude passear por alguns locais da “cidade neve”. Fiquei quase chocada com a inclinação das ruas (estando habituada a cidades quase plana) e ainda mais com a facilidade com que os habitantes as percorrem! Mas a cidade é linda, assim como a sua zona envolvente e as magníficas vistas. Estive no “Serra Shopping” (nunca esperei que uma cidade do interior tivesse assim um centro comercial), vi as novas piscinas que fazem ondas, e estive algum tempo no magnífico Jardim do Lago, muito agradável e com um lago cheio de peixes vermelhos, patos e alguns cisnes, que adoro.
Depois do regresso, apenas me voltei a ausentar de casa anteontem. Fui até ao Minho, a um casamento que, para mim, foi a festa do ano! Um casamento que acho difícil ser superado na organização, animação e beleza do local. Festejou-se numa quinta com um solar e em poucas festas me consegui divertir da mesma forma; ter direito a dança do ventre, animação para as crianças com palhaços tradicionais, e outros em andas ao som de Bob Sinclair, rancho folclórico, danças ciganas, sevilhanas, fado, valsa, música popular e tradicional de todas as festas, música clássica de cada vez que os garçons, impecavelmente trajados, se dirigiam em fila indiana para servir a refeição à diferentes mesas, passadeira vermelha, fogo-de-artifício junto à piscina,… uma celebração sem igual!
Entretanto pude por a minha leitura em dia. Havia imensos livros que desejava, há imenso tempo, ler.
Li “O Círculo do Medo” de Sandra Carvalho ainda em Maio
e agora em férias, “O Códex 632”de José Rodrigues dos Santos,
O Ultimo Papa” de Luís Miguel Rocha,
e por fim “A Filha da Floresta – Sevenwaters I” de Juliet Marillier.
Penso começar hoje “O Filho das Sombras – Sevenwaters II” da mesma autora.
Adorei os dois últimos livros, e aconselho vivamente!
 
Espero que também vocês guardem boas recordações destas férias! E que corram pelo melhor!
 

sinto-me: vendo o eclipse da lua!
sons do baú: Deves estar a chegar - Oioai


Terça-feira, 12 de Agosto de 2008
Cinco anos

 

Há cerca de cinco anos já eu pensava no dia de hoje. Pensava como seria a minha vida após este tempo. Pensava como seria dizer “Foi há cinco anos”. Pensava como aguentaria a ausência, a dor... Pensava se neste intervalo de tempo, um dia, não iria acordar e reencontrar-me com treze anos, sem um motivo para chorar. Que acordasse na manhã do dia 13 de Agosto e, indo ao quarto do meu irmão ele lá estivesse a dormir. Que acordasse na manhã de 13 de Agosto de 2003 e não ouvisse, ao descer as escadas, o choro da minha mãe, denunciando que aquilo que eu mais temia era real. Mantive essa esperança por muito tempo… E ainda hoje a conservo.
Poderão passar cinco, dez, vinte anos… a minha vontade será sempre a de poder regressar atrás no tempo e mudar o rumo da vida nesta casa.
No dia de hoje assolam-me as recordações daquela noite. O telefonema anunciando que o meu irmão tivera um acidente. A viagem até ao hospital em que me agarrava com todas as forças à minha fé e à esperança que alimentava… “Ele não pode morrer”. A chegada às urgências e toda aquela gente à porta com uma expressão desolada. O desespero dos meus pais. O médico encaminhando-se na direcção da minha mãe… “tenho uma má notícia a dar-lhe…” E o momento seguinte não pode ser descrito…
Chegou o desespero, deu lugar à dor, e por fim à saudade.
No dia seguinte pensava eu, “desde ontem que não falo com o meu irmão, como será daqui a cinco anos? Como poderei dizer que não o vejo ou não falo com ele há cinco anos? Como poderei passar esse tempo sem receber notícias, sem ver a sua cara, sem ouvir a sua voz, sentir a sua boa-disposição, sem tentar ganhar-lhe numa brincadeira, ou ser cúmplice em algo que os meus pais não aprovam. O que fazer quando me perguntam: “és filha única?” ou ao ouvir as pessoas ao meu redor falar dos irmãos mais velhos… Também eu já respondi negativamente a essa questão… hoje não sei o que dizer. Também eu já falei, tantas vezes, orgulhosa do meu irmão,… No passado. Há cinco anos; hoje já não é possível.
 



Terça-feira, 15 de Julho de 2008
Dois anos

Há dois anos atrás começei este projecto... Consegui através do Baú ter alegrias, muito apoio por parte de todos que visitam e comentam. A todos vocês o meu muito obrigado.

As saudades de escrever aqui são imensas, imensas... Se neste ano lectivo foi muito complicado manter o blog, nestas férias não está a ser menos. De momento estou sem acesso à internet, pelo que, como entendem, fica complicado actualizar. Vou tentar mudar isso, mas a tarefa apresenta-se árdua! Bastante mais do que esperava...

Contudo, podem ter a certeza que não esqueço quem por aqui passou, passa,... logo que possa, voltarei.

 

Entretanto comigo está tudo bem. Estou de férias desde o final de Junho, e a aproveitar finalmente a minha casinha.

Desculpem não ter respondido aos comentários do post anterior, mas logo que venha com mais calma fá-lo-ei.

 

Obrigada por partilharem estes dois anos (menos uns meses de ausência) comigo.

Tomara que o próximo ano seja um ano a sério de blog, como foi o primeiro.

 

Boas férias a todos! Ou bom verão para quem não tem essa oportunidade!

 


sinto-me:


Segunda-feira, 3 de Março de 2008
O autocarro
Mais uma vez, de volta a Salamanca. Mais uma semana que começa, e provavelmente mais uma quinzena de dias sem voltar a casa… Tal como me preveniram ao início, agora custa sair de casa. Custa pensar que no dia seguinte já não durmo no meu quartinho, custa pensar que já não vou ter a comida da mãezinha, custa despedir-me de tudo e, sobretudo, de todos. Salamanca continua a fascinar-me como cidade, o curso também mas… algo mudou. Talvez aquela euforia inicial que sentia. Isto faz-me lembrar as teorias antropologistas que dizem que a paixão apenas dura 18 meses e os benefícios que isso nos traz – seria horrível passar “anos e anos na montanha russa do amor”. Tentando estabelecer um paralelismo, também essa euforia teve de acalmar. Nem que não acontecesse espontaneamente, os exames encarregar-se-iam de o fazer.
Ontem, mais uma vez lá passei uma horinha no “autobus” entre duas cidades espanholas, o meu trajecto habitual aos domingos.Rotina minha e da maioria dos universitários. Com o autocarro, sempre mantive uma relação de amor-ódio. Gosto de viajar e de poder apreciar com calma a paisagem, de ver todos os locais pelos quais passo, de ver todas aquelas pessoas… Mas por outro lado tenho sempre a sensação que ou as malas ficam na estação ou me esqueço delas, ou alguém as leva por engano, ou fico eu na estação (nas viagens longas quando há paragens), depois há o transtorno de ir muito tempo sentada…
Bem, mas quase sempre há histórias para contar. Domingo à noite, apenas  passo uma hora no autocarro: é ver todos os estudantes carregados de malas – tal como eu –comprar bilhetes a correr, acotovelarem-se nas filas para entrar, irem em grupos contando o que se passou durante a semana (isto pelo que eu compreendo entre as minhas conversas, o mp3 e a rápida conversação que eles levam), alguém a falar ao telemóvel e que faz pública a sua conversa para os 50 passageiros, ou eu própria carregada de sacos tentando passar pelo estreito corredor enquanto me desdobro em 1001 “perdón”.
À sexta-feira, que julgo se está a tornar o meu dia favorito da semana, vamos de regresso durante 2h30.Esperamos meia hora numa estação (onde surgem figuras insólitas como homens que surgem na casa-de-banho feminina ou procurar um balcão de venda de bilhetes que afinal se conclui não existir) e depois tomamos um autocarro que pára na fronteira. O motorista já nos conhece como as “señoritas portuguesas” e a maioria das vezes somos apenas nós, as estudantes portuguesas que chegamos ao fim do trajecto. Lá vai o autocarro de 50 lugares a ecoar as nossas conversas. Claro que enquanto está cheio há situações do mais diverso possível: entre um miúdo de 10 anos a meter a cabeça entre o meu banco e o da minha colega para nos olhar, ou um bando de 4 rapazes que desatam a rir – com fortes gargalhadas, sem se conterem durante 10minutos, sem exagero – quando começamos a falar entre todas em português, ou passageiros com um forte cheiro a álcool ou de aspecto “sinistro”, gente que se lembra de fazer sessão fotográfica e não dá descanso aos “flashes” durante o trajecto inteiro…
Há mesmo de tudo.
Contudo para mim, a melhor parte da viagem é sexta-feira quando sei que estou perto da fronteira e nesta altura se está o sol a pôr. O autocarro já só nos leva a nós e eu vou ouvindo uma música enquanto vejo o pôr-do-sol e penso: “Lar, doce lar… estou a chegar!”

sinto-me: desprovida de sol
sons do baú: How to save a life


Segunda-feira, 11 de Fevereiro de 2008
New Life
Que… saudades..!
Nem imaginam como já me fazia falta abrir o Microsoft Word para escrever umas quantas linhas com a intenção de aqui as publicar, no meu blog! Já me desdobrei vezes sem conta em desculpas pela falta de actualização, mas nos últimos tempos foi-me de todo impossível dar continuidade ao Baú. Contudo, hoje para mim é sinónimo de vida nova! :D Espero por isso, com este recomeço poder dedicar-me como antes a escrever as palavras que tanto me satisfaziam. E a ler os vossos comentários! Ai que saudades, que saudades..! (nem em Espanha se “perde” este sentimento tão português!)
Estou aqui sentada à secretária da minha casa nova, vendo o sol da manhã brilhando lá fora. Hoje é um dia especial. Começo o 2º “cuatrimestre” (semestre) na faculdade, recomeço a escrever aqui…finalmente vejo a minha vida a tomar “rumo”.
Digo isto porque ultimamente as coisas não se têm revelado fáceis. A situação no apartamento que habitava estava péssima, e resultou com que tivesse de mudar de casa com uma das minhas colegas de “piso” (um conselho: nunca fiquem 3 raparigas a compartilhar uma casa. E caso o façam, certifiquem-se que se conhecem todas MUITO bem). Foram momentos para esquecer, em que a única coisa que me ocupava o pensamento era ver aquela situação resolvida. Para piorar tudo em Dezembro tive um dos acontecimentos mais tristes da minha vida: a morte da minha cadelinha… Foi rápido, eu não estava em casa e abalou-me profundamente. Era especialíssima para mim, alguém que fazia realmente parte da família. Sei que nunca a vou esquecer, a minha Íris.
 Depois foram as férias de Natal em que não tive acesso à internet e foram passadas a estudar para os exames. Em Janeiro voltei para Salamanca mas devido à mudança voltei a ficar sem internet e, eis que quando me instalam, estou em plena época de exames época essa que acabou na Sexta-feira. Para ajudar a tudo isto, não falava com a minha melhor amiga há 5 meses. Bem, foram meses para esquecer – parcialmente. Mas ontem voltou tudo ao normal, fiz as pazes com a minha melhor amiga (imaginem o que significa depois de 5 meses!), estou na minha casinha nova, começa o 2º semestre...!
Bem, nesta altura deveria estar em aulas, mas isto de andar entre Portugal e Espanha dá mau resultado: por o despertador para a hora portuguesa. Não faz mal, aproveitei assim estes momentos para reinaugurar o blog.
Espero mesmo que desta vez dê para cumprir a minha palavra, como estou farta de ouvir: o tempo bem programado dá para tudo!
 
Bem, e agora despeço-me.
Vou à minha primeira aula de anatomia!
Até breve!
 
P.S.: Escrevi isto antes de sair para as aulas. Hoje foi mesmo um dia especial! Fui aprovada à primeira disciplina. Finalmente posso dizer que comecei a minha “carreira”! :)

sinto-me:
sons do baú: Dancing in the moonlight


Domingo, 2 de Dezembro de 2007
Sonhos de Infância
O tempo não pára e não me dá fôlego para por as minhas coisas em dia. Com o blog passa-se o mesmo. Que desorganização total! Então só de pensar que está a aproximar-se o fim do ano, e que isso significa a época de exames em Janeiro… bem, é melhor nem desenvolver o tema, ou sequer pensar nisso!
De cada vez que coloco uma nova votação aqui no blog, tento orientá-la no sentido de algo futuro que, imagino eu, possa vir a acontecer. Claro que sempre associada à curiosidade de saber a opinião geral acerca de um determinado tema.
Desde, sensivelmente, o mês de Abril que a minha vida tem estado virada para uma coisa apenas: educação. Tudo começou com o fim do 12º ano (e a série de testes, e trabalhos a fazer), depois a preparação dos exames nacionais e sua realização, seguiu-se o concurso ao ensino superior, resultados de notas, resultados de colocações, acesso ao ensino superior espanhol, matrículas, procura de casa, e por fim, o início do novo ciclo na faculdade. Como é de notar, nem outra coisa me dava tanto motivo para escrever como este tema, que tomou toda a importância ao meu redor. Assim, até no momento de escolher a votação me baseei no meu, outrora, hipotético futuro, e agora, actual presente: medicina.
Resolvi questionar se já alguma vez tinham cumprido um sonho de infância. Apesar de muitos se esquecerem com o tempo do que é verdadeiramente sonhar, é nessa fase em que o nosso pensamento não tem limite. Podemos pensar que a cada esquina há uma porta para um mundo mágico onde há casinhas feitas de doces, que somos princesas ou heróis de histórias de encantar ou que todos os dias são de sol. Não nos preocupamos com todo o mundano que nos cerca, vivemos com a mente! Vivemos numa ilusão, sim. Mas é tão bom..! E o mais importante: somos felizes!
Julgo que todos nós nos recordamos de algum sonho de infância. Eu uma vez fiz questão de os registrar para memória futura, e para assinalar de cada vez que cumprisse um deles. Não espero cumpri-los todos tão cedo, ou então, se cumprir, encontrar logo outro desejo a satisfazer. Isto porque no dia em que já tiver aquilo que quero, que não sonhar mais, não desejar… Bem, julgo que será a minha hora. (Lembrando-me das minhas aulas de biologia: tal como as células se “apercebem que estão a mais” e entram em apoptose, ou morte celular programada).
Claro que os meus sonhos de infância não eram nada de espectacular, eram apenas coisas que me deliciariam se fossem concretizadas, algumas simples. Mas é nas coisas simples da vida que está a piada!
A maior parte dos desejos que considero são de ainda antes de entrar para a escola primária – até porque é aqui que a sociedade nos começa a moldar mais fortemente. Desde pequena que adoro animais (Confesso só que não sou adepta de aracnídeos, répteis… ), e sempre desejei ter o máximo de animais em casa, apesar de não me ser permitido. E houve uma raça de animais que sempre me fascinou: (talvez devido à sua associação com a neve de quem eu sou também fã?) huskies siberianos. Lembro-me de implorar desde pequena por um husky, de passar horas e horas na internet pesquisando sobre a raça, vendo clubes, fotos… Até que um dia, quando menos esperava e já tinha desistido de ter um, pelo menos tão cedo, recebi a minha cadela. E é hoje do mais importante que tenho na vida, única!
Outro desejo que eu tinha era de ter um computador. Sim, é estranho. Mas corria o ano de 1994, e o seu uso ainda não estava muito difundido, mas os computadores fascinavam-me! E 6 anos depois, lá tive o meu. Nunca me esquecerei desses tempos!
Também desta altura, desejava muito ir à Disneyland, em Paris. Tinha-me sido prometida uma viagem, mas também só 10 anos depois consegui finalmente lá ir. Sempre fui apaixonada pelo mundo Disney e ir àquele parque… é como se voltássemos atrás no tempo. (Aconselha-se a todos os que não tenham visitado!) Algo inesquecível que espero voltar a fazer!
Para terminar, aquele que me fez abrir esta votação: entrar em medicina. Este talvez não o possa considerar um sonho de infância. Quero dizer, lembro-me desde pequenina de querer ser médica, de adorar estetoscópios, diagnosticar bonecas, adorar ir ao médico, e claro, ambicionar sê-lo “quando fosse grande”. Mas há alguns anos mudei de ideias, comecei a ficar confusa sobre o que realmente queria ser. Até que decidi em Julho deste mesmo ano que sim, realmente queria ser médica. Já foi um pouco tarde, perdi por algum tempo a esperança mas não desisti. Acreditei que mesmo que não conseguisse este ano, um dia estaria a estudar medicina. E afinal, quando menos esperava… cá estou eu! Com o meu sonho realizado!
Nunca é tarde para realizarmos os nossos sonhos, o importante é nunca desistir e lutar sempre por eles! Sejam eles ter um computador ou entrar no curso que desejamos! :)
E vocês também já concretizaram os vossos?
 

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